Hawaii Estados Unidos
Surfe, colares de flores e a dança do hula são apenas
algumas das atrações que o arquipélago vulcânico do Pacífico Norte
reserva ao turista, entre vulcões ativos, florestas tropicais, vida
selvagem e muita simpatia
"A pátria paradisíaca do norte". A
expressão utilizada pelos antigos navegantes polinésios quando chegaram,
há 1500 anos, a esse grupo de ilhas situado na imensidão do Pacífico
Norte, não difere muito da visão do turista dos anos 90, ao observar da
janela do avião a estranha harmonia natural de florestas tropicais,
campos agrícolas e montanhas rochosas.
No imaginário do turista, Havaí é sinônimo de
surfe, colares de flores e garotas dançando o exótico hula. Mais do que
isso. É também um mergulho, literal ou não, numa natureza já explorada
e, ao mesmo tempo, ainda bastante selvagem. Mas não há nada de errado em
sonhar com esses estereótipos que até hoje fazem parte da tradição do
paraíso havaiano, tão retratado por Hollywood nos filmes melosos de
Elvis Presley e até como cenário de Jurrasic Park, de Steven Spielberg,
e Waterworld, de Kevin Costner.
É justa a fama. A milhares de quilômetros de uma
massa continental, o arquipélago "novo"- assim denominado por
ser de origem vulcânica ainda em formação -, consegue reunir
naturalmente o que falta em muitos destinos turísticos.
São inúmeras cachoeiras, praias incomuns, vida
selvagem (88 ecossistemas), clima diversificado - 21 das 22 zonas
climáticas do mundo estão ali representadas -, cânions e, para
completar, espetáculos dantescos de seus vulcões em atividade.
Aloha é a primeira saudação ao turista que
desembarca no Aeroporto de Oahu, a principal das ilhas havaianas.
Pronuncia-se "Alôrra" (em português, bem-vindo) e serve
também como cumprimento para qualquer hora do dia. Uma forma do
sorridente e gentil povo havaiano expressar sua simpatia. É também uma
das poucas palavras ainda populares da língua nativa nesse paraíso
isolado, na metade do caminho entre Los Angeles (4.114 quilômetros de
distância em cinco horas de vôo) e o Japão (6.210 km em sete horas de
vôo de Tóquio).
Desde que o Havaí se tornou o 50º Estado
norte-americano, em 1900, o inglês virou o idioma oficial do
arquipélago. A perda gradual de identidade só não foi maior porque o
turismo ajudou a resgatar suas tradições estereotipadas mundialmente
até os dias de hoje, com a imagem da bela bailarina com colares de flores
dançando o hula. O resgate de tradições é justificado: o Havaí recebe
anualmente 6 milhões de turistas, responsáveis por gerar uma receita de
US$ 8 bilhões anuais.
Hula é a dança havaiana que é tão obrigatória para
o turista que pode ser comparada ao axé-music de Porto Seguro. Os
machões que torcem o nariz para a mexida suave das cadeiras no hula vão
se surpreender ao saber que a dança era originalmente um baile religioso
do qual participavam apenas homens bem-treinados para honrar a deusa Laka.
Apesar de o arquipélago compreender cerca de 130
ilhas, apenas oito são consideradas principais: Maui, Havaí (também
chamada de Big Island), Lanai, Molokai, Niihau, Kahoolawe e Oahu. Mas,
quando se fala em turismo, as atenções se concentram em Kauai, Maui, Big
Island e Oahu. A última abriga a capital Honolulu, as praias da costa
norte famosas pelas ondas gigantescas durante o inverno e Pearl Harbor, a
base militar americana atacada pelos japoneses durante a 2ª Guerra
Mundial.
A substituição do idioma havaiano pelo inglês
facilitou bastante a vida do turista. Apesar de possuir as cinco vogais do
alfabeto e apenas sete consoantes (h, k, l, m, n, p, w), algumas palavras
não são fáceis de pronunciar e também são muito extensas. Um dos
peixes mais famosos do Havaí, por exemplo, não é comestível - ainda
bem! É difícil imaginar alguém chegar em um restaurante e pedir ao
garçom o peixe humuhumunukunukuapua'a.
Portanto, é bom não arriscar e ficar apenas nas
palavras básicas: aloha e mahalo (pronuncia-se marralo e significa
obrigado). A palavra aloha, aliás, tem um significado tão benéfico para
a imagem do arquipélago que, em 1959, tornou-se sobrenome oficial:
"O Estado Aloha", que é utilizado até em placas de carros.
Waikiki, Waimea, Pipeline e Sunset. Os nomes das
principais praias da ilha de Oahu tomam conta dos sonhos de surfistas do
mundo inteiro. Para os havaianos, enfrentar a fúria das ondas não é
apenas um esporte do século 20, mas sim uma tradição sagrada de muitos
séculos, privilégio apenas de reis.
A origem desse esporte radical perdeu-se no passado dos
polinésios. Lendas descrevem o surfe como uma veneração aos deuses do
mar e respeito ao poder das águas. Aqueles que tinham habilidade para
"cavalgar" as ondas eram tratados como nobres guerreiros.
Mas os primeiros ocidentais a se espantarem com as
"feras nativas" sobre pranchas - incialmente pedaços de madeira
-, foram os integrantes da tripulação comandada pelo inglês James Cook,
que chegaram a Big Island em 1779. Não se sabe se o rei unificador das
ilhas, Kamehameha I, também barbarizava nas ondas, mas a popularização
do esporte ocorreu somente no século 20, quando o havaiano Duke
Kahanamoku, viajou até a Austrália, em 1915, para uma exibição
especial.
"Eu só estou feliz quando estou nadando como um
peixe", costumava dizer Kahanamoku, que virou celebridade ao voltar a
Honolulu. Sua maior façanha foi lá mesmo, na Praia de Waikiki, quando
enfrentou e foi o único a permanecer em pé sobre as gigantescas ondas
Bluebirds. Nos anos 60, o surfe explodiu no mundo, com a popularidade da
surf music e de filmes sobre o esporte.
O vulcão Kilauea é a atração principal da ilha
Havaí, também conhecida como Big Island. Mas a maior ilha do
arquipélago (10.473 quilômetros quadrados) não é apenas a terra dos
vulcões, como também é o melhor lugar para se conhecer história,
praticar mergulho, trekking, canoagem, e até esqui na neve.
Essa diversidade torna-se possível graças às suas 13
regiões climáticas diferentes, que oferecem desde a área infernal
próxima às crateras, até as planícies desérticas de Ka'u, as
florestas tropicais sobre Hilo, praias de areia branca e negra e, ainda, a
neve que cobre o pico vulcânico Mauna Kea no inverno .
Com cerca de 800 mil anos de idade, a Big Island tem
cinco vulcões, mas somente três são considerados ativos: Mauna Loa,
Kilauea e Hualãlai. E, curiosamente, um novo vulcão irmão, o Lo' ihi,
está em atividade debaixo d'água, a 37 quilômetros da costa sudoeste da
ilha.
Em volume, Mauna Loa é a maior massa montanhosa do
mundo, com 28.968 quilômetros cúbicos. O vulcão já teve 32 erupções
desde 1832. Durante os últimos 1.100 anos, sua lava cobriu mais que 1.600
quilômetros quadrados e sua última erupção ocorreu em 1984, chegando a
ameaçar a cidade de Hilo.
Bem menor que Mauna Loa, Kilauea, com 1.219 metros de
altitude, poderia ser tratado com menos importância não fosse o fato de
ser o vulcão mais ativo do mundo. Por mais de 100 anos, Kilauea ficou
quase continuamente em atividade e, durante este período, o fosso da
cratera Halema'uma'u era um lago de lava.
Desde então, Kilauea tem tido erupções intermitentes
tanto no topo como em seus flancos. A erupção atual iniciou-se em 1983 e
é a maior e mais longa de flanco da história, sem previsão de
interrupção.
Muitos turistas perguntam sobre o perigo de erupções
imprevistas e fatais para a vida na ilha, mas os vulcanólogos garantem
que os aparelhos de alta precisão podem detectar a ameaça e garantem que
a lava levaria muitas horas para avançar para outros territórios, dando
tempo para evacuar a população.
Hoje, a área próxima à cratera de Kilauea é mais
visitada por causa dos bancos sulfúricos (depósitos de enxofre) que
expelem gases pelos orifícios das pedras junto com vapores de água
subterrânea. O território rochoso cinza e os vapores proporcionam um
cenário infernal. É possível queimar a mão na saída das fendas e até
cozinhar um frango.
O Parque Nacional dos Vulcões, inaugurado em 1916,
permite visita também aos antigos fluxos de lava, hoje formações
rochosas negras e cinzas. Outras atrações do parque são o Museu Jaguar
- com peças e vídeos explicativos -, a Cratera Kilauea Iki e o passeio
dentro do Tubo de Lava Thurston.
Além de ser a mais nova das ilhas havaianas - as
rochas vulcânicas não têm mais que um milhão de anos -, Big Island foi
a primeira a ser povoada pelos polinésios originários das Ilhas
Marquesas e do Taiti, que chegaram entre os séculos 4º e 8º.
Foi lá que nasceu, em 1758, aquele que seria o maior
líder do povo, Kamehameha I, que cuidou da unificação das ilhas por
meio de tratados e batalhas com outros reis de Maui, Molokai, Oahu e Kauai.
Foi também em Big Island que chegaram os primeiros
ocidentais. Apesar da presença de navegantes espanhóis no século 16, o
contato mais importante com os nativos se deu em 1779, quando o capitão
James Cook aportou na Baía de Kealakekua.
Agências de turismo receptivo oferecem um tour
completo ao redor da ilha (a cerca de US$ 100 por pessoa), com visitas ao
parque e aos principais sítios históricos do povo havaiano, locais de
batalhas, templos religiosos e monumentos dedicados a Kamehameha.
Alugando um carro, fica mais fácil visitar e curtir as
belas praias de Big Island. É, principalmente, um paraíso para
mergulhadores graças à diversidade biológica e paisagem submersa
incomum, marcada por antigas erupções.
Nas praias de Kona, por exemplo, há vários lugares
que alugam máscara, snorkel e nadadeiras, a US$ 7 a diária. A mais bela
das praias, no entanto, é Hapuna, que foi eleita pela Revista Condé Nast
Traveler a número um dos Estados Unidos.
A classificação de Hapuna pode ser exagerada para os
padrões brasileiros, mas é impressionante a quantidade de peixes nas
águas transparentes próximas da praia de areias claras, além de grandes
tartarugas e arraias. Isto sem contar as milhares de baleias que chegam à
costa de Big Island entre os meses de dezembro e abril.
Mas o tour fundamental é o passeio no helicóptero
Blue Hawaiian (tel. 001808/871-8844), que sobrevoa o vulcão Kilauea,
cânions com cachoeiras, desertos, campos de lava e belas falanges da
costa. O passeio aéreo não é nada barato: de US$ 140 a US$ 305,
conforme o tempo de vôo. Mas apreciar o paraíso tem seu preço.